Você tem autoestima ou “se acha”

June 22, 2017

 

Tem muita gente confundindo se gostar, se valorizar e se respeitar com o se achar acima da média, intocável, como um prêmio a ser alcançado pelo outro. Existe uma grande diferença entre a verdadeira autoestima e o simples fato de “se achar”.

Em tempos de exposição excessiva em redes sociais e na neurótica busca de alcançar padrões inatingíveis de beleza, riqueza, poder e influência, muitas pessoas estão se perdendo no conceito da tão falada autoestima.

 

Então, vamos por partes! Autoestima é o gostar de si o suficiente para respeitar os próprios limites, para saber valorizar os pontos fortes e lidar bem com as próprias fraquezas. É também cuidar da saúde, da aparência e da boa comunicação dos sentimentos. Autoestima verdadeira é saber dizer sim somente para o que for sim e não para o que realmente for não. Tem autoestima quem não mede os próprios valores pelas opiniões alheias, pelas modinhas e pelas posses que tem. Ou seja, a autoestima é o resultado do equilíbrio das emoções, representado pelo discernimento e pelo bom senso.

 

Já o “se achar” traz consigo uma ponta de prepotência e de uma força que na verdade é muito frágil. Quem “se acha” tem maior propensão a desprezar os valores do outro e toma para si o pedestal mesmo quando não lhe pertence. Em redes sociais como Facebook e Instagram, onde pipocam milhares de fotos a cada segundo, sobram exemplos de quem busca atenção e autoafirmação colocando-se como acima da média nos mais diferentes quesitos. Geralmente são pessoas que querem provar a todo custo para uma audiência que praticamente desconhece que são felizes, bem-resolvidas, inteligentes, bonitas e desejadas.

 

Não se trata de condenar quem se “acha”. Todos somos livres e usamos o filtro que mais nos agrada para interpretar a realidade. Mas é praticamente lógico que a superficialidade do “se achar” é uma verdadeira bomba para a concepção da nossa própria existência. A curto prazo, “se achar” preenche o vazio existencial. A longo prazo, esta atitude traz grandes estragos para a trajetória pessoal.

Seremos muito mais saudáveis emocionalmente quando descobrirmos o ponto de equilíbrio entre o amor próprio e o atendimento às exigências da vida pós-moderna. É uma questão de escolha.

 

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