Tripé da mudança: Aceitar, Agradecer e Agir (Método 3A)

February 8, 2020

Júlia perdeu os pais; Alex descobriu um câncer:

como lidar com os problemas que nos tiram o chão?

 

 

Mudar, transformar, fazer diferente... Estamos sempre querendo melhorar, saindo do estado atual em busca de uma vida satisfatória, mais leve, feliz e compensadora. O grande desafio é saber como fazer isso da melhor maneira, principalmente se já testamos inúmeros caminhos e colecionamos insucessos. Se em situações normais essa já é uma tarefa difícil, que dirá nos momentos que a vida nos golpeia com acontecimentos inesperados.

Em minha recente passagem pelo Brasil, uma moça de 25 anos, que havia assistido a uma de minhas palestras, me procurou pedindo ajuda sobre como sair da situação pela qual está passando e está lhe causando grande sofrimento. Vamos chamá-la de Júlia.

 

Em poucos minutos, ela me contou uma história que faria até o mais insensível dos seres dobrar-se aos sentimentos de compaixão e empatia. Júlia perdeu pai e mãe, não tem familiares por perto, está com dificuldades de socialização e se sente cada dia mais amargurada, perdida, sem vontade de viver e se questiona a cada segundo porque está passando por tudo isso. “É insuportável, às vezes quero sumir”, desabafou.  

Na mesma semana, um homem de 39 anos, com olhos desesperados e marejados, também me abordou para desabafar que o câncer que ele descobrira há cerca de dois meses está matando sua esperança e seus dias. Vamos chamá-lo de Alex. Ele é divorciado, tem um filho adolescente de 16 e outro de 9 anos. Embora esteja fazendo tratamento, ele afirma não ter mais esperança, preocupa-se excessivamente com o futuro dos filhos e, para complicar, está passando por dificuldades financeiras.

 

O que Júlia e Alex têm em comum? Ambos estão lidando com questões ligadas à finitude, o que mexe demais com a estrutura emocional e causa muita angústia e sofrimento. Pelo pouco que conheci dos dois, percebi também uma grande negação e revolta, o que é perfeitamente compreensível.

 

Obviamente eu não tinha uma solução ou uma direção segura para oferecer a ambos, mesmo porque não sou médico nem terapeuta. Mas tive o insight de compartilhar com eles uma maneira de lidar com desafios que aprendi ao longo da vida e na qual acredito muito por já ter me dado a chance de superar problemas que pareciam ser insolúveis.

Trata-se do que convencionei chamar de Tripé da Mudança - Método 3A: Aceitar, Agradecer e Agir. Esta sequência é um caminho para a mudança, pois de forma simples e clara permite gerenciarmos as emoções em busca de um alívio para o sofrimento e uma ressignificação do que nos ocorre no transcurso da vida.

 

O primeiro passo é ACEITAR o problema. E quando digo aceitar, proponho que isso seja feito num nível mais profundo, tomando consciência do que está acontecendo, sem deixar que as emoções confusas distorçam a realidade dos fatos.

Quando aceitamos algo, mesmo que ruim e doloroso, iniciamos um processo de alívio, tirando o peso e abrindo possibilidade para que apareçam possibilidades de solução.

A etapa seguinte é AGRADECER. Sei que parece estranho demais agradecer por uma perda ou uma doença. No senso comum não faz sentido. Mas acredito fortemente que tudo o que nos acontece tem lições nas entrelinhas. Não se trata de destino, mas nada é tão por acaso assim. Portanto, agradecer é testar a própria compaixão diante daquilo que está fora do nosso controle. É preciso agradecer ao mesmo tempo em que se observa qual o aprendizado que aquela situação está nos proporcionando. Não é gratidão da boca para fora, mas sim um reconhecimento de que cada um de nós tem nossas próprias lutas e fardos a serem carregados, mas que nem por isso vamos entregar os pontos.

 

E, por último, vem o AGIR. Tão importante quanto as anteriores, essa é uma escolha que faz a diferença na aceleração da verdadeira mudança. Somente a atitude pode consolidar um processo de transformação, que começa no nível mental e termina na ação prática. Depois de aceitar e agradecer por um problema, ficamos mais leves e nos sentimos mais fortes dispostos a fazer algo que pode estancar o sofrimento e nos aproximar da solução.

Nem sempre é preciso uma grande ação. Na maioria das vezes, basta um pequeno movimento ou um simples primeiro passo para que a dor se dissipe e abra espaço para o novo. Mas para isso é preciso coragem e desprendimento. Por vezes, inconscientemente, nos apegamos ao sofrimento e com isso desperdiçamos toda a fonte de aprendizado que ele carrega. Mas sempre é tempo de fazer diferente.

 

A Júlia e o Alex prestaram muita atenção na explicação que dei a eles sobre o Tripé da Mudança. Disseram que tirei “uma tonelada” de suas costas. Acatei a observação, mas sei que quem fez isso foram eles próprios, com a abertura e compreensão que são necessários para que o método dê resultado.

Talvez eu nunca saiba como eles lidaram e resolveram seus conflitos. Mas estou certo de que palavras ditas com energia e amor podem mudar o rumo de uma vida.

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